quarta-feira, 29 de agosto de 2007

À beira de um ataque de nervos

Estava eu toda satisfeita voltando para casa depois do trabalho, no 220. Logo depois que sentei no banco perto da saída do ônibus (aquele mais alto, que é o meu preferido apesar dos sacolejos), uma moça sentou ao meu lado. Até aí tudo bem, pas des problèmes. Continuei lendo o meu livrinho tranqüilamente até que...clec. Franzo as sobrancelhas. A menina tinha estalado um dedo. Em seguida, vários clecs. A criatura estava estalando todos os dedos das mãos. E nada me irrita mais que barulho de dedos estalando. Em poucos segundos, eu já odiava a coitada da moça e fantasiava sobre maneiras de separar sua cabeça do corpo.
Pensando bem, sou altamente irritável. Uso "nada me irrita mais que" com infinitas combinações. Não suporto barulho de saco plástico no cinema, evangélicos que crêem na surdez divina, trapos me cantando na rua com criatividade zero, descobrir que não tem doce na geladeira no auge de uma crise de abstinência, grosserias em geral, mensagens de "a sua ligação é muito importante para nós/estaremos lhe atendendo (sic) em alguns instantes", vendedoras plantadas na entrada da cabine perguntando "ficou bom?", caneta falhando, fatal error, gente sem noção que dá pitaco na vida alheia sem ter intimidade.
Quando eu era mais nova, ficava no meu canto porque eu sempre fui meio bicho-do-mato. Agora, aguento até um certo nível (como aquele palhaço dos vídeos do you tube). Do limite para cima, já era. Uma vez eu fiquei discutindo com um indivíduo que estava pregando no meu ônibus. Não tenho preconceito contra religião nenhuma e o ser humano é livre para falar o que quiser. Mas ficar berrando num meio de transporte público em que nem se pode ouvir rádio ou fumar para evitar atrapalhar os outros passageiros é demais. Um mané ameaçou atirar em mim se eu não deixasse o cara pregar. No dia seguinte, contei para as minhas colegas do trabalho e todas elas me olharam como se eu fosse doida. Fiquei sem saber quem era o maluco da história: eu, o crente ou o que ameaçou me matar por causa do crente...
Mas eu também tenho um certo bom-senso (e quem acha que não tem?). Nunca iria chegar pra menina que estava se estalando no ônibus e falar "vou dizer onde você pode enfiar esses dedos". Até porque eu continuo sendo tímida, só reclamo depois de confirmar mentalmente que o barraco é justificável e vale o nervosismo que vai me causar. Isso ou até o meu oscilômetro chegar ao topo.

4 comentários:

Carol Sousa.. disse...

hahahahahahahaha
Eu lembro beeeeeeem do dia do cara pregando no ônibus!!!!
Lembrei antes de ler a parte que você mencionada, e morri de rir quando mencionou...rssss

eu me irrito com pessoas que querem se meter na sua leitura e comentar o livro.... uma vez estava lendo numa fila de banco e a mulher que estava atrás de mim ficou falando que já tinha lido o livro, que era assim, assado, que isso, que aquilo.... ai, que saco!!!!!

mas, fazer o quê, né?
xP

=***

Lua num instante comum disse...

auhauahauahauahuahau
Também odeio isso (com você, foi um livro espírita, né?), mesmo quando a pessoa não comenta. De vez em quando, estou lendo no metrô e sinto que a pessoa do lado está acompanhando junto comigo, daí fecho o livro só de sacanagem...

Carol Sousa.. disse...

Pior que não, Luanda... a vez do livro espírita eu estava no ônibus. O livro que eu estava lendo na fila do banco era do Machado de Assis..rssss

Lua num instante comum disse...

Ahhhhhhhhh,Carol,vc é muito ímã de maluco!