Mesmo o telespectador mais distraído já deve ter reparado em um cidadão que aparece ao fundo em quase todas as externas do RJ TV. É um senhor baixinho, com cara de nordestino, sempre enfiado num terno e geralmente falando ao celular. Não interessa a pauta da matéria, lá está o homem disputando espaço em frente às câmeras com os curiosos. Outro dia, finalmente descobri a identidade dessa celebridade anônima: Jaime Dias Sabino, mais conhecido como Jaiminho.
Jaiminho diz que gosta de aparecer, sem saber explicar muito bem a razão. Além de ser presença constante no telejornal, cultiva um outro hábito incomum: ir a enterros de famosos e, quando possível, ajudar a levar o caixão. Afirma já ter se despedido de Getúlio Vargas, Chacrinha, Dina Sfat, Cazuza, Daniela Perez e centenas de outras personalidades (contabiliza ter ido a mais de mil enterros). Para ele, essa é uma forma de demonstrar respeito aos mortos e também de prestar uma espécie de... serviço aos presentes, consolando amigos e família. 
Ao ouvir o baiano contando sua história, fui ficando cada vez mais assustada com a fascinação que a mídia pode causar. Todos somos influenciados em maior ou menor grau por ela, mas é bizarro demais imaginar que um indivíduo passe a vida fazendo de tudo pra simplesmente aparecer na tela - ainda que de forma parasitária - e se sentir próximo das figuras expostas nos meios de comunicação.
É um nível de envolvimento que se baseia na fantasia de que só quem está lá é importante e existe de verdade. Que aqueles personagens que vemos todo dia na TV e nem fazem ideia de quem somos são semideuses com quem temos real intimidade. Já escutei que a televisão é uma máquina de criar ilusões. Mas será que não somos nós que fazemos com que estas ilusões floresçam até esse ponto insano?