segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Elenco de apoio do Fellini

Sei que qualquer pessoa pode dizer esquisitices sobre a sua vizinhança. Sempre tem o casal animadinho que passa a noite fazendo sons suspeitos, a mulher que abriga mais gatos que a SUIPA, a família que vive quebrando o pau e o sem-noção que deve ser meio surdo e ajusta sempre o volume do som no 30.
Tudo bem, de perto ninguém é normal. Mas tenho sérios motivos para acreditar que o meu condomínio é o que reúne os indivíduos mais bizarros e caricatos por metro quadrado na Terra. Tem um cara que, sempre que alguém faz gol num jogo, berra : "Vasco é vasco!!!". Não importa quais times estejam em campo. A partida pode ser Itaquacetuba do Norte x Íbis que o mané declara (aos gritos) seu amor pelo time do coração.
Ainda na categoria futebolística, há uma moradora de uns 40 anos que não resiste a gritar "Meeeengooooo!", dar play no cd com o hino do rubro-negro e xingar a torcida rival sempre que a Globo tem a infeliz idéia de transmitir um jogo (ao menos ela se contenta em só pirar nos jogos do Flamengo). A maluca tem um filho da minha idade. Acho que ele tem problemas mentais (sério), mas nem o meu senso de humanidade suporta quando ele liga o som no último volume e fica cantando músicas infantis e temas de desenhos japoneses a tarde toda, todo santo dia (devo ter ganho vários pontos na minha tabelinha cármica da última vez em que peguei uma virose e não fui trabalhar).
Isso sem falar no anão tarado (sim). Quer dizer, não sei se ele é tarado mesmo, mas quando eu era criança, ele era tipo o homem do saco para a pirralhada e mesmo eu agora sendo uma mulher madura (huahauahauahauha), saio correndo se encontrar com ele na escada.
Ah, e como eu posso ter esquecido desse (suspeito que talvez tenha sido um bloqueio mental)? Obrigada por me lembrar, Tatá. No meu andar, vez ou outra estou esperando o elevador e ouço uns gemidos vindos de um dos apartamentos. Como o elevador não chega e eu sou curiosa mesmo, me aproximo da porta. O som está alto. Mais gemidos e oh, yeahs abafados. O morador (e, como eu nunca vi o indivíduo, por que não "a moradora"?) deve ser a primeira pessoa que eu conheço que assiste um pornô e não coloca a TV no mudo ou, pelo menos, num volume bem baixinho.
E como não poderia deixar de ser: yes, we have barracos! Era uma vez uma menininha de 10 anos chamada Luanda. Num belo dia de sol, ela está andando em volta do bloco B com sua amiga Carol. Eis que as duas menininhas vêem um filtro de barro aos cacos no chão. Que tipo de pessoa, discutindo com seu cônjuge, resolve jogar um filtro de barro pela janela? Sempre fico imaginando como seria humilhante e indigno caso alguém morresse atingido por ele.
Uns dois andares abaixo do meu apartamento, tem um mané que faz happy hours com os amigos em plena quinta-feira. Tenho que reconhecer que o indivíduo até que tem bom gosto (sempre rola U2), mas começo a desenvolver fantasias homicidas quando estou estudando para alguma prova fuderosa da faculdade e tenho que me concentrar ao som de uhuuuuus a poucos metros do meu quarto.
Ainda há a Dona Elza. É uma senhora bem velhinha, que está toda noite cercada de sacolas do Mundial dormindo no sofá da portaria. Tenho pena, ela deve se sentir sozinha em casa, então prefere ficar lá, onde pode ver gente passando. Mas que é esquisito, é.

2 comentários:

Tata disse...

Lu você esqueceu do cara que fica vendo filme pornô o dia inteiro...olha eu nem moro no seu prédio, mas ele é tãããoooo famosos que merecia um destaque no seu texto hehehehehe...

Lua num instante comum disse...

Vixe,esqueci mesmo! E olha que o indivíduo é meu vizinho de porta.
Vou fazer um adendo...
Valeu, Tatá!