domingo, 3 de agosto de 2008

Sei lá, Paulinho

Hoje assisti de novo àquele documentário sobre o Paulinho da Viola, "Meu tempo é hoje". O homem é um combo de qualidades: tem aquela voz doce e grave, um gênio criativo incrível, bom humor, simplicidade, reverência com o passado sem saudosismo e uma gentileza só dele, além de outros dons menos conhecidos (como os dotes de marceneiro, relojoeiro, mecânico, pai de família e jogador de sinuca). 

Comecei a escutá-lo com uns 12 anos, quando tia Ana Paula mandou uma coletânea dele pra minha avó. O CD ficou uns tempos esquecido, até que um dia eu o coloquei pra tocar. Uns anos depois, quando trabalhava no Sheraton, comentei animada sobre o cantor com um hóspede do hotel e emprestei o CD a ele, que nunca mais me devolveu. Mesmo assim, nunca mais parei de ouvir Paulinho, ainda que nas vozes de outros intérpretes, como Teresa Cristina, Marisa Monte, Velha Guarda da Portela e Roberta Sá.

Além do magnetismo que o samba naturalmente já tem, mesmo que só com um cavaquinho e uma caixa de fósforos, as músicas de Paulinho têm um toque delicado, de quem compõe com cuidado para interpretar cada som da forma exata, com a entonação certa, para escolher cada palavra sem pressa, com atenta
sensibilidade. Um perfeccionismo sem rabugice, de quem transformou o que faz com mais gosto em trabalho.

De quem canta:
"Não levarei arrependimentos nem o peso da hipocrisia.
Tenho pena daqueles que se agaixam até o chão
Enganando a si mesmos por dinheiro ou posição
Nunca tomei parte desse enorme batalhão,
Pois sei que além de flores, nada mais vai no caixão.
Eu sou assim, quem quiser gostar de mim eu sou assim"

2 comentários:

Anônimo disse...

Po, esse blog é sensacional!! hehehehe
sensacional pode ser exagero, é mt bom... bem, é bom.... razoável? ah, até que dá pra levar...
ruim não é! hahahahahha

Brincadeiras a parte, parabéns pelo blog! Você escreve muito bem.




Felipe Melo

Lua num instante comum disse...

Ahn...obrigada?
Felipe, você veio diretamente do túnel do tempo! rs
Grande beijo!