segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Mania de fazer balanços

Eu não agüento, vai chegando o dia de completar mais uma primavera (a gíria é pré-histórica, mas é tão bonitinha que dá pena de não usar) e me sinto incontrolavelmente impelida a analisar a minha vida no período entre o último aniversário e o próximo. Pensar no que mudou, no que está e quero que continue igual, no que estou me contorcendo mentalmente para que mude logo, em como vejo o futuro hoje e como via há um ano. TOC? Que seja.

Do ano passado pra cá, decidi deixar de trabalhar para fazer estágio, descobri que era mais forte do que pensava, fiz uma tatuagem numa euforia arrebatadora por ser mulher. Comecei a encarar o amor como uma descoberta tortuosa e, ainda que muitas vezes angustiante e dolorosa, um impulso que não vou mais tentar impedir. Que ele venha, tome conta de mim com todos os efeitos colaterais e, se um dia decidir ir embora, que vá e passe a vez. Percebi que ele é, parafraseando Marisa Monte, o corte e a cicatriz. Pecar por omissão é que eu não vou.

Meus planos de estudo e profissão começaram a tomar forma. Aqueles livros que comprei no primeiro período da faculdade e continuavam intactos finalmente começaram a ser lidos, me animo cada vez mais pra correr atrás de seminários, debates e cursos ligados às áreas que me interessam, vou começar a fono daqui a pouco pra deixar a antiga dicção de narradora de F1, intensifiquei as pesquisas por bolsas de estudos de pós no exterior, finalmente consegui puxar matérias extras na faculdade para o próximo semestre (o que nunca dava pra fazer por causa do trabalho).

Comecei a beber. Socialmente, sim, mas não é um hábito que me deixe muito satisfeita comigo mesma. Principalmente por eu já me sentir flutuando depois de 4 choppes. No final da minha última incursão à Lapa, já na fila do caixa pra pagar a comanda, senti que ia desmaiar. Depois de uns momentos de mal estar, cabeça entre os joelhos pra aumentar a pressão e a ajuda de amigos solícitos, ficou tudo bem. Pode ter a ver com o calorão que fazia, com a barriga vazia há sei lá quantas horas, mas fiquei meio assustada. Dá uma solidão danada passar mal na rua, não sei se quero facilitar das próximas vezes. Feels miserable.

E o violão, que continua quietinho no canto dele, pegando poeira... Esse vai ficar pro próximo balanço.

3 comentários:

Anônimo disse...

Completo hoje minha primavera, amanhã será você. Embora eu tenha nascido no inverno... então eu completarei mais um inverno, e você, mas uma primavera.
Enfim, um aniversário é um armário velho e cheio de lixos e lembranças. A cada ano que passa, fazemos uma arrumação, guardamos o que há debom, deixamos um pouco de sujeira também, e jogamos o resto fora. Trancamos. E ano que vem a gente abre de novo...


Felipe M.

Winnee Louise disse...

Depois de quatro chopes o meu nariz e os meus quadris ficam quentes, a bebida migra pros pólos. Aonde será a farra este ano?

Lua num instante comum disse...

O convite da(s) farra(s) estará disponível mui brevemente no e-mail dos meus V.I.Ps (como você, é claro)...