domingo, 9 de novembro de 2008

Obsessões de Woody Allen, agora na Espanha

Hoje fui à pré-estréia de "Vicky Cristina Barcelona", o novo filme do Woody Allen. Pouco antes da sessão começar, a fila já ultrapassava a entrada do Estação Botafogo e fazia curva bem depois do pipoqueiro. Restaram só algumas poltronas vagas nas fileiras do torcicolo, enquanto o restante da sala foi tomado por gente curiosa pra ver como o diretor ia se sair contando uma história ambientada na Espanha e sem que o próprio interpretasse um dos personagens.
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Na produção, Vicky e Cristina são grandes amigas com personalidades opostas - a primeira é metódica e racional e a segunda, instável e passional - que vão passar uma temporada hospedadas em Barcelona.
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Vicky está noiva de um carinha sem graça e Cristina está à procura de alguém que dê jeito na sua "insatisfação crônica". Uma noite, inesperadamente, aparece Juan Antonio, um charmoso pintor de quem elas só escutaram as fofocas sobre seu divórcio violento. As duas acabam se envolvendo com ele, e ainda aparece a ex-mulher do sujeito pra completar o quiprocó.
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A grande questão do filme é a busca pelo amor como a resposta para todas as inquietações, o que pode até parecer piegas. Mas, como aqui o manda-chuva é Woody Allen, o assunto é tratado com altas doses de sarcasmo e ceticismo, como na frase dita por sua Maria Elena (Penélope Cruz), de que "só os amores não-realizados são românticos" (ou algo parecido).
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"VCB" conta com três dos nomes mais quentes de Hollywood: Javier Bardem (ou "meu pedido de Natal desse ano"), Scarlett Johansson e Penélope Cruz. Estão lá várias das marcas de Allen: os ótimos diálogos, a ironia, a crítica a uma elite que tem muita grana e zero de inteligência, a sexualidade reprimida e as neuroses contemporâneas. No entanto, é interessante observar como o diretor tem evitado a mesmice, tanto no roteiro quanto na estética visual, para tratar mesmo dos temas mais batidos por seus filmes anteriores. A trilha sonora - com deliciosos solos de violão flamenco - e as locações ainda dão um charme a mais ao filme.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Ócio nada criativo

Existe uma lenda urbana de que a grande mazela da vida contemporânea é a falta de tempo. Pois eu acho que esta pode ser, pelo contrário, a solução para o nosso caos diário. Nos últimos anos, funcionei na potência máxima quase que o tempo todo, correndo de casa pro trabalho, depois pra faculdade, fazendo cursos nos fins de semana, indo a eventos acadêmicos sempre que podia, me sentindo o Jack Bauer. Olhando rabugenta para os colegas da faculdade que eu considerava abençoados por poderem se dedicar só aos estudos e não aproveitavam a chance. Ah, se eu tivesse aquele tempo todo sobrando...

Até que me vi sem ter absolutamente nada pra fazer, nadica de nada, por 2 meses. Primeiro, fiz uma programação incrível: eu iria ler todos aqueles livros pendentes, revisar as lições de Espanhol e Francês e fazer vários programas culturais. Lindo no papel, mas a realidade era, na maior parte do tempo, eu acordando às 11 da manhã para passar o dia deitada no sofá comendo doce-de-leite de colher enquanto assistia a reprises de seriados na TV. O PC ficava ligado o dia quase todo por nada (mas, mesmo assim, me hipnotizando por horas quando eu parava em frente a ele) e eu padecia de uma brutal ansiedade pra que algo agitasse a vida de novo.

Daí - tadá - foi só começar num estágio pra que a plena administração do meu tempo livre magicamente começasse a se concretizar. As revistas que eu assino já passaram a ser lidas antes da chegada das edições seguintes, por exemplo, o que é um pequeno grande avanço. É como se o comprometimento de parte do meu dia fosse um estímulo pra organizar as horas restantes da melhor forma possível, o que não me dava a menor animação de fazer quando estas significavam o dia inteiro. O ócio simplesmente não funciona pra mim como fator produtivo.

domingo, 2 de novembro de 2008

Defina "velhice"

Sexta-feira em São Paulo, eu e Jaque fomos pra uma balada de rock num club chamado Outs. A casa tinha acabado de abrir e ainda ia demorar um bocado pra começarem os shows da noite (uma banda que tocava tão alto que não se ouvia o vocalista e uma cover do Oasis) e abrirem a pista de cima (onde ia rolar DJ), então a gente sentou numa mesinha pra conversar enquanto bebia uma cerveja. Duas meninas da mesa ao lado puxaram papo. Eis que, um tempo depois, uma delas diz:

- Lá perto de onde eu moro, tem um lugar ótimo, que toca rock das antigas. Só que nenhum dos meus amigos gosta porque lá vai muito tiozão, sabe? De 25, 26 anos...

Eu e Jaque caímos na gargalhada imediata e descontroladamente, e ela, sem entender:

- Gente, é verdade!

Quando consegui retomar o fôlego, perguntei:

- Vem cá, quantos anos você tem?

- 19, e vocês?

Quando dissemos que eu tenho 23 e a Jaque tem 30, ela fez a cara mais surpresa do mundo e disse:

- Não acredito! Nem parece...

Só faltou dizer que a gente estava super conservada.

sábado, 1 de novembro de 2008

Let me in

Secret heart
Why so mysterious
Why so sacred
Why so serious
Maybe you're
Just acting tough
Maybe you're just not bad enough
What's wrong

Let her in on your secret heart