segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Nem Freud, nem Chico Buarque, Nietsche ou o raio que o parta explica

O legal da atualidade é que todo mundo pode se sentir especial, né? Existem diversas patologias pós-modernas em que todos invariavelmente se encaixam. Ao mesmo tempo em que a sociedade vive sua era mais permissiva, cada ser humano agora se tornou portador de infindáveis fobias, déficits, psicoses, manias e distúrbios.
Cada hora leio alguma coisa diferente a respeito, designações em latim ou grego que eu definitivamente não vou gravar. A culpa, as frustrações, os altos e baixos do comportamento humano, o estado por vezes obsessivo que acompanha um grande interesse, a vontade de estar só, tudo é doença, ameaça à "felicidade integral". É claro que existe aquela história de que qualquer coisa em excesso é prejudicial e motivo de preocupação. Comer demais, de menos, gastar o que não se tem para alimentar a própria vaidade ou desprender-se totalmente dela é sinal de que algo não vai bem mentalmente. Mas sob que parâmetros, me diz?
Estranho também como existem os distúrbios da moda. Transtorno bipolar está super in, por exemplo. Uma amiga uma vez me contou sobre uma menina que fazia tipo dizendo ter "um déficit na química da felicidade". A criatura então "se isolava" para repousar na casa de Teresópolis, mas essa minha amiga sempre a via transitando toda serelepe com os amigos por aí.
Sabe-se lá o que realmente se passa com a tal, mas é só para ilustrar como a tristeza pode ser cult. Isso sem mencionar o fênomeno "emo".
Chega a ser curioso como somos pressionados a alcançar a felicidade suprema e como ironicamente é isso o que nos impele à melancolia. Ao mesmo tempo, nos sentimos frágeis, ansiosos e neuróticos por qualquer inquietação e acreditamos que deve haver uma solução na psiquiatria, algo que explique o que não possui uma explicação lógica e exatamente no momento em que nós, mimados, exigimos.

4 comentários:

Um Anônimo aí disse...

Parabéns!
Seu blog é lindo, e mostra que vagar na internet de vez em quando pode ser produtivo, pois há uma enorme quantidade de porcarias por ae
Felizmente seu blog não é (até este certo momento, que eu li umas 3 postagens suas...)
Com certeza voltarei a fazer visitas :D
Continue escrevendo

Meus cumprimentos

Lua num instante comum disse...

Oba!
Só fiquei curiosa pra saber quem foi o autor (ou a autora) do post...

Carol Sousa.. disse...

"a tristeza pode ser cult" --> pode mesmo....
Tem toda aquela história de que temos a obrigação de ser feliz, de acertar tudo, de ter tudo sempre sob controle... é essa confusão, tem os que ficam deprimidos por não terem a tal felicidade suprema, mas tentaram alcançar, apenas cansaram de não conseguir e desistiram...
tem os que passam a vida tentando e matam deus e todo mundo por conta disso sem em nenhum momento achar que estão errados...
e tem o que nem tentam, mas acham que já por isso mesmo têm que ser deprimidos e inventam um nome pra isso....
é, né?



****

Anônimo disse...

Olá!

Estou ancioso esperando seu próximo post. já sei.. ficou surpresa com o comentário que está querendo caprichar para descobrir quem sou né??
uma dica, já tivemos a oportunidade de conversar umas duas ou três vezes...
quem sabe no seu próximo post eu possa dar mais uma?
PS: prometo q se for MUITO bom darei 2 diacas ;)