domingo, 18 de abril de 2010

É complicado

Seria mais simples se tudo o que a gente precisa decidir viesse pra nós de maneira clara, né? Que a gente tivesse epifanias com mais frequência, talvez. Pensando bem, isso certamente ia provocar danos psicológicos irreparáveis, melhor não. Enfim, a vida seria muito mais fácil se todas as respostas aparecessem objetivamente.

O problema é conseguir enxergar com clareza, porque quando a gente está envolvida com alguma questão que precisa resolver, é difícil se distanciar. Daí a gente fica nessas, sem saber direito pra onde ir, com medo de escolher o caminho errado e se estrepar toda. Lucidez... é de comer?

segunda-feira, 8 de março de 2010

Da série "tem que ver"

O que é o medo? É aquele frio no estômago? A insônia inesperada? A crise de choro? É o que nos paralisa ou o combustível pras nossas mudanças? 

Pensando nisso, lembrei de um filme delicado e despretensioso que vi há uns anos: Minha Vida Sem Mim, dirigido pela Isabel Coixet. Nele, uma jovem de 23 anos, casada com o primeiro homem da sua vida, com duas filhas pequenas e vivendo em um trailer, descobre que tem uma doença terminal. Brabeira, né? Depois do choque inicial, o que ela faz é criar uma lista de tudo o que quer fazer antes de morrer e começar a pôr os planos em prática, serena e obstinadamente.

Como protagonista, está a ótima Sarah Polley. O elenco traz ainda Mark Ruffalo, Scott Speedman, Debbie Harry (sim, ela mesma, a vocalista do Blondie) e Maria de Medeiros. Pra completar, uma das trilhas sonoras mais lindas desse mundo. Só pra dar o gostinho, taí o trailer, ó:

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Médio, mediano, medíocre

Conheço gente que trabalha fazendo exatamente a mesma coisa há anos, mais por comodismo que por vocação. Gente que acorda e dorme todo santo dia ao lado de quem não ama. Ou será que ama? Já nem se sabe mais. Não estou falando daquelas pessoas que vivem assim conscientemente, mas das que se acostumam a não exigir da vida. Que sentem conforto em levar a vida em banho-maria, em ter uma boa ideia de como vai terminar o dia, o mês, o ano e assim por diante.
Dos que ignoram o prazer de se aventurar no abismo, de vez ou outra apostar no incerto, de ultrapassar a zona segura em volta de si, dos que preferem ficar embaixo da marquise a tomar sereno. A vida é mais segura assim, verdade, mas será que vale a pena manter os limites assim tão rígidos? Dá até uma pontinha de inveja de vez em quando - afinal, os ignorantes parecem mesmo ser mais felizes -, mas no fim das contas o meio-termo não é tão vantajoso quando a gente sabe que pode muito mais. Melhor mesmo é voar livre feito passarinho.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Pra dizer a verdade

"Então, vamos marcar alguma coisa?", ele disse. Respondi: "Olha, sabe que que é? Na verdade eu tô vendo que isso não vai dar certo, você já deve saber disso também, então a resposta é não. Vou ficar em casa fazendo a sobrancelha que é mais jogo". Mentira. Falei: "Claro, vamos sim. Que horas?".

Posso discutir com alguém, me magoar e chorar até desidratar as glândulas lacrimais, mas se encontrar com a pessoa por aí, vou segurar o sorriso no rosto e dizer: "Imagina, tô ótima!". E quantas vezes a gente não ouve alguém dizendo que não tá nem aí pra fulano, que quer mais é que o fulano vá pras cucuias, daí no instante seguinte lá está a pessoa toda resignada e cheia de amores? Quem nunca foi a algum lugar só porque os amigos insistiram e depois ficou com cara de bunda o resto da noite?

A gente curte dizer que faz e diz o que quer, que é transparente, mas a verdade é que às vezes a gente não segura o tranco de simplesmente ser sincero com o que sente. Acaba dizendo e fazendo exatamente o contrário do que quer, muitas vezes sem sequer perceber. Será medo? Orgulho? Autoproteção? Seria por  esperança de que o que a gente diz passe a ser o que se pensa? Ou, talvez, que a nossa intuição esteja errada dessa vez? Sejamos francos: franqueza é coisa pra heróis e heroínas.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Com a cara e a coragem

Quando ainda estava no colégio, lá pelos meus sweet sixteen (há quase 10 anos, cruzes), lembro de enviar meu primeiro currículo. A vaga era para ser assistente de vendas numa dessas joalherias em que você precisa abrir um crediário só pra passar da porta. Enfim, não foi daquela vez, mas no ano seguinte, já fora da escola, consegui trabalhar pela primeira vez. A situação em casa nunca foi lá muito boa, mas também não era um perrengue total. Não era por necessidade extrema que eu queria trabalhar, mas por algo que eu nem sabia direito como explicar na época. Eu queria ser independente.
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Pra mim, ser independente era ter dinheiro (mesmo que pouco) pra bancar as coisas que eu quisesse fazer. Com o passar do tempo, vi que a palavra queria dizer mais do que isso. Grana é só uma pequena parte da coisa. Independência tem muito mais a ver com atitude. Com se responsabilizar pela própria vida, tanto pelos acertos quanto pelos erros. É não ficar na mão de ninguém, mas saber os próprios limites pra saber impedir quando alguém ultrapassar a linha. É dizer, como se a gente tivesse cinco anos de novo, "você não manda em mim!". 
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Ainda hoje, o objetivo está lá, bem longe de ser alcançado. Mas a gente é teimoso e segue insistindo, né? A alternativa não vale a pena.
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