domingo, 6 de dezembro de 2009

One step back, madam

Eu sempre fui muito tímida. Do tipo que sente o rosto queimando quando tá no centro das atenções, tem taquicardia quando chega a sua vez de dizer quem é o seu amigo oculto, tem horror a apresentar trabalho e prefere prender o dedinho na porta a ser explícita sobre algo que está sentindo. Com homem, então, pior ainda, com direito a sumiço de voz, rosto pegando fogo e falta de capacidade de formar frases inteligíveis. Foi assim até a adolescência.  

Quando eu cresci, no entanto, as coisas mudaram. Chegou uma hora em que eu vi que ia sair perdendo se passasse o resto da vida esperando que tudo o que eu queria caísse do céu. Cheguei à conclusão de que precisava agir e, pra isso, ia precisar me expor. E foi assim que eu comecei a, sempre que batia a timidez, pensar comigo mesma: "vai lá". É claro que nem sempre tomar a iniciativa deu certo, mas eu ainda prefiro seguir aquela máxima de que é melhor me arrepender pelo que eu fiz do que pelo que não fiz.  

Hoje em dia, meu problema é outro. Como me acostumei a dar um passo à frente com os caras, em vez de ficar esperando o telefone tocar, o indivíduo chamar pra sair ou puxar assunto etc., fui percebendo que esse negócio enjoa de vez em quando. Nunca dá pra saber ao certo quando a outra pessoa está dizendo ou fazendo algo espontaneamente ou só respondendo a uma iniciativa sua. Por isso, resolvi que agora eu quero ser cortejada. É, galanteada. Meio idiota resolver alguma coisa que depende de terceiros, eu sei, mas é que parei com essa de proatividade amorosa, de preferir ser prática a brincar de mocinha casadoira. Eu mereço um pouco mais de gentileza nessa vida bruta.

domingo, 29 de novembro de 2009

De volta

Faz tempo, né? Passei tudo isso - quase cinco meses - sem escrever no blog por pura falta de ideias que eu achasse que poderiam render um post. Depois fui perdendo a prática de escrever, de partir de um lugar e desenvolver o texto até o ponto final. Daí fui deixando, deixando, e quando eu vi, já era hoje. O negócio é que, eu não tinha percebido ainda, mas escrever me faz uma falta danada, me tira o peso do peito, me faz entender melhor, joga luz em cima dos pensamentos, faz com que eu faça pelo menos um pouquinho de sentido. Oi de novo.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Adeus à pantera

25 de junho (vulgo, quinta-feira passada) trouxe uma comoção mundial que não se via há muito tempo. Michael Jackson, o "rei do pop", o cara que popularizou o moonwalk, o black or white das meias prateadas, o artista de mil e controversas faces morreu, aos 50 anos, em Los Angeles.

A avalanche de notícias foi tão grande que encobriu uma outra grande perda para a cultura pop: Farrah Fawcett, que perdeu a luta contra o câncer aos 62 anos, também em LA. As primeiras chamadas que surgiam sobre sua morte foram imediatamente colocadas de lado pela mídia, ávida por qualquer novidade sobre Jackson.

Elevada ao estrelato como a linda e loira detetive Jill Munroe do seriado As Panteras (no original, Charlie's Angels), Farrah inaugurou o que seria o corte de cabelo mais copiado do mundo. E ainda mais. Nos anos 70, o comportamento da mulher ainda era cercado de tabus e preconceitos, já que o apogeu do movimento feminista na década de 1960 não destruiu imediatamente todo o aparato de opressão instituído por séculos na sociedade. Jill era uma mulher sexy, independente, esperta e que, ainda por cima, tinha um trabalho considerado masculino.  
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Em 1984, a atriz interpretou Francine Hughes em Cama Ardente, telefilme sobre o caso real da mulher acusada de provocar a morte do marido após sofrer anos com a violência doméstica. Além de receber uma indicação ao Emmy pelo papel, Farrah se engajou na causa. Parte de sua herança foi destinada a instituições de apoio às vítima de abuso. Farrah Fawcett estava longe de ser apenas mais uma mulher bonita: ela foi e continuará sendo um ícone de beleza e atitude.

domingo, 21 de junho de 2009

A diva do apocalipse

Ela chegou sorrateira, cantando uma musiquinha boba de tão fácil, que colava instantaneamente na memória. Bastava ouvir uma vez pra começar logo a cantarolar "just dance/it's gonna be ok/ dara dara/ just dance". O nome trazia uma confiança quase pretensiosa: Lady Gaga, inspirada em Radio Ga Ga, música do Queen. A garota de 23 anos era uma mistura de princesa infernal, Cyndi Lauper, Elke Maravilha e Andy Warhol. Logo depois, o bafafá sobre a moça aterrisou por aqui também.      

O substantivo que melhor a descreve é "excesso". Na maquiagem, nos figurinos excêntricos, no cabelo loiro um passo além do artificial, na atitude ácida, nas declarações polêmicas, na sensualidade agressiva, na aparência longe do padrão. Se não fosse por isso, seria só mais uma aspirante a darling do pop. Boa voz? Ok. Músicas pegajosas? Ok. O álbum segura uma festa? Aham. Nada excepcional, no entanto. O trunfo de Lady Gaga está porém na personagem que ela cuidadosamente construiu para si.  

A cantora e compositora é, sim, um produto. A diferença é que, ao que parece, foi a própria Lady Gaga (nome de batismo: Stefani Joanne Angelina Germanotta) quem o criou e a grande graça, afinal, é brincar com a cultura das celebridades, aproveitando pra subverter os conceitos de sensualidade, beleza, retrô e inovação. Tudo nela grita simulação e estranhamento. No espetáculo chamado Lady Gaga, a música é o que menos importa. Como de costume.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Vendo "Fantástico"

Eu - Caramba, vó, o Adriano não tá fazendo nada no Flamengo, né? (isso porque eu saco tudo de futebol)

Vó - Claro, ele só quer viver na farra!

Eu - É, e olha como ele tá gordo...

Vó - Ele só fica comendo essas mulheres fruta!

Eu - Ah, mas vó, nem deve ser isso, fruta é light. Imagina se ele estivesse comendo a Mulher Lasanha, a Mulher Coxinha, a Mulher Feijoada...

Vó - Hum... é mesmo.