Com as mais sofisticadas e infalíveis técnicas de sorteio - vulgo retirada de papelzinho -, revelou-se hoje o ganhador de "Delírios Cotidianos", livro de Charles Bukowski em quadrinhos do alemão Matthias Schultheiss.
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Eram quatro participantes (incluindo o Du, que se inscreveu verbalmente). Para atestar a isenção da escolha, minha digníssima avó retirou a ficha do ganhador.
And the winner is (rufem os tambores)... Winnee Louise!
Nêga, depois combinamos a entrega do seu prêmio incrível e aproveitamos para tomar umas cervejas enquanto colocamos a conversa em dia.
Nos idos da minha adolescência (lá pela era Mesozoica), eu via muito a MTV. Podia estar acontecendo o apocalipse lá fora que eu não perdia "Top 20 Brasil", "Piores Clipes do Mundo", "Beavis & Butt-head", "South Park" e as vinhetas de "Garoto Enxaqueca" por nada. Apesar desses me trazerem doces lembranças, o programa de que eu mais sinto falta é um desenho animado chamado "Daria". A personagem-título começou aparecendo em alguns episódios de "Beavis & Butt-head" e, um tempo depois, acabou ganhando um seriado só pra ela. Quando tocava o trechinho de "You're Standing on My Neck" na abertura, era certeza de rir pra cacete com o sarcasmo da moça.
Sempre usando coturno e óculos fundo-de-garrafa, Daria Morgendorffer era a ironia em pessoa. A cada episódio curtinho, a menina soltava uma meia dúzia de comentários ácidos sobre a hierarquia social da escola - com aquela típica divisão entre populares e losers que a gente vê nos filmes americanos -, a superficialidade dos colegas, os costumes familiares, a cultura pop (logo no canal mais pop do mundo) e os dilemas da adolescência.
O componente bizarro da minha nostalgia é que parece que só eu assistia ao programa. Já perguntei pra um monte de gente sobre o seriado e nadade achar alguém que conheça. Uma tristeza, nem dá pra perguntar "cara, cê lembra daquele episódio?" porque ninguém sabe do que se trata. Não é como com os clássicos da Sessão da Tarde, do Cinema em Casa ou dos episódios do Chapolin, que sempre tem alguém com quem dividir. Outro dia, por exemplo, joguei na roda "Enchente - Quem Salvará Nossos Filhos?" e encontrei um companheiro igualmente saudoso do filme que tanto entreteve minhas tardes ociosas. Deve ter sido pela baixa audiência que a MTV exibiu "Daria" tão pouco tempo por aqui, depois de me viciar na bendita, à la SBT. Perversos!
Ele está escondido no fundo do armário, do lado direito, atrás dos casacos. Dentro de uma sacola amarela de livraria. Ainda embalado com papel de presente dourado e etiqueta com o nome do então aniversariante (o cartão eu já joguei fora). Quanto ao livro dentro da sacola, eu simplesmente não sei o que fazer.
A ideia - ai, que tentação de colocar um acento em cima desse "e" - mais lógica seria ficar com o dito-cujo mas, mesmo depois desses meses todos, ele ainda traz ecos daquele misto de amargura e desesperança dos amores frustrados.
A sensação, agora, é bem mais branda, mas continua lá. Simplesmente entregar pra algum amigo algo que escolhi pensando em outra pessoa me parece cínico, não sem contar a trajetória dele, mas daí vem aquela sensação de novo e dá preguiça. Chegou a temporada anual de me livrar daquilo que não me serve mais, então...
Tem ocorrido um fenômeno interessante. Quase todas as pessoas que eu conheço foram recentemente à Argentina ou vão daqui a pouco. Eu, inclusive, faço parte do segundo grupo: me rendi à onda e vou passar uma semaninha por lá no Carnaval. Moeda barata + infra bacana pra receber turistas + albergues a preço de banana + passagens com valor ok + poder pagar as mesmas em até 6 vezes sem juros no cartão = um mundaréu de brasileiros desembarcando no Ezeiza.
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O meu primeiro plano para o Carnaval era subir e descer ladeiras em Olinda ao lado de bonecos gigantes, mas os preços das passagens pra Recife murcharam os meus sonhos docemente embalados pelo frevo. Ter conseguido um apê vazio pra ficar em Buenos Aires (na província, não na cidade, mas parece que é meia horinha pra chegar) também teve o peso de uma bigorna pra que eu decidisse pelo plano B, porque o meu orçamento é muito, mas muito curto mesmo.
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Pois bem, passagens compradas, oferta do apê devidamente confirmada, começaram os planejamentos do que fazer nos meus 7 dias lá. Comprei um guia cheio de mapinhas - como qualquer turista desprovido de senso de direção que se preze -, juntei com as dicas dos amigos e fiz um itinerário. Estão lá museus, parques, cafés antigos, construções históricas e feiras de rua. Só estou reticente sobre os tais cemitérios famosos, sem saber se isso lá é programa que se faça. Deixei as escolhas noturnas por conta de um amigo argentino, pra evitar de cair em furadas causadas pelo meu amadorismo na boemia daquelas bandas.
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Parece que, de uma hora pra outra, a Argentina se deslocou quilômetros acima, colou ao lado do Rio e se tornou destino hors-concours para fins de semana prolongados. Passar uns diazinhos por lá já não tem aquela solenidade toda que geralmente envolve viagens internacionais. É um caso extraordinário. Não lembro de ouvir ninguém fazendo cara de pensativo e dizendo "putz, nem sei pra onde eu viajo no feriadão...será que Montreal é uma boa?". Agora o negócio é caprichar no espanhol - ou portunhol - chiado e guardar um cantinho pro dicionário na mala.
O que é essa sensibilidade aguçada que nos domina vez ou outra, fazendo com que até um comercial da Suipa - se é que ainda passa - nos deixe em prantos? Ou uma vontade incontrolável de "dizer umas verdades" para aquela pessoa que se ia levando em banho-maria há meses? Isso sem falar num desejo ensandecido de devorar a maior quantidade de açúcar possível... Podendo aparecer junto com uma dor de cabeça ou cólica insuportáveis, esses costumam ser os sintomas da célebre TPM, ou Tensão Pré-Menstrual.
Pobrezinha dela. Desde que o fênomeno - sim, porque ela pode se assemelhar a uma força da natureza - se popularizou que começou o abuso. A TPM virou desculpa para mulheres no mundo todo fazerem besteira ou manha e culparem seus ciclos menstruais. Ou mesmo uma saída fácil para os homens resolverem suas dúvidas sobre o comportamento feminino. "Pô, ela não falou comigo a semana toda só porque eu olhei pra bunda da prima dela...deve ser TPM". Para esses, a melhor resposta seria a camiseta que eu vi há uns tempos, em que havia escrita a singela frase: "Não é TPM. É você."
Já dizia o sábio: nesses momentos, só chocolate, paciência de jó e Atroveran expulsam os demônios das pessoas.