Estava eu toda satisfeita voltando para casa depois do trabalho, no 220. Logo depois que sentei no banco perto da saída do ônibus (aquele mais alto, que é o meu preferido apesar dos sacolejos), uma moça sentou ao meu lado. Até aí tudo bem, pas des problèmes. Continuei lendo o meu livrinho tranqüilamente até que...clec. Franzo as sobrancelhas. A menina tinha estalado um dedo. Em seguida, vários clecs. A criatura estava estalando todos os dedos das mãos. E nada me irrita mais que barulho de dedos estalando. Em poucos segundos, eu já odiava a coitada da moça e fantasiava sobre maneiras de separar sua cabeça do corpo.
Pensando bem, sou altamente irritável. Uso "nada me irrita mais que" com infinitas combinações. Não suporto barulho de saco plástico no cinema, evangélicos que crêem na surdez divina, trapos me cantando na rua com criatividade zero, descobrir que não tem doce na geladeira no auge de uma crise de abstinência, grosserias em geral, mensagens de "a sua ligação é muito importante para nós/estaremos lhe atendendo (sic) em alguns instantes", vendedoras plantadas na entrada da cabine perguntando "ficou bom?", caneta falhando, fatal error, gente sem noção que dá pitaco na vida alheia sem ter intimidade.
Quando eu era mais nova, ficava no meu canto porque eu sempre fui meio bicho-do-mato. Agora, aguento até um certo nível (como aquele palhaço dos vídeos do you tube). Do limite para cima, já era. Uma vez eu fiquei discutindo com um indivíduo que estava pregando no meu ônibus. Não tenho preconceito contra religião nenhuma e o ser humano é livre para falar o que quiser. Mas ficar berrando num meio de transporte público em que nem se pode ouvir rádio ou fumar para evitar atrapalhar os outros passageiros é demais. Um mané ameaçou atirar em mim se eu não deixasse o cara pregar. No dia seguinte, contei para as minhas colegas do trabalho e todas elas me olharam como se eu fosse doida. Fiquei sem saber quem era o maluco da história: eu, o crente ou o que ameaçou me matar por causa do crente...
Mas eu também tenho um certo bom-senso (e quem acha que não tem?). Nunca iria chegar pra menina que estava se estalando no ônibus e falar "vou dizer onde você pode enfiar esses dedos". Até porque eu continuo sendo tímida, só reclamo depois de confirmar mentalmente que o barraco é justificável e vale o nervosismo que vai me causar. Isso ou até o meu oscilômetro chegar ao topo.
quarta-feira, 29 de agosto de 2007
terça-feira, 28 de agosto de 2007
Poeminha
Te adoro mais que brigadeiro de panela
Que dormir até tarde
Ou que uma sexta-feira no final do expediente
Estar com você é melhor que ver Grey's Anatomy
E seu beijo mais gostoso que brownie com sorvete
Que passar no vestibular
Não prometo que vou te amar pra sempre
Mas sempre que puder
Vou estar pertinho pra te chamar pra um sushi
(ou uma lasanha congelada)
Quando você estava longe
Ficou triste que só essa menina
Mas agora somos nós dois de novo
Oba, até que enfim uma rima!
Que dormir até tarde
Ou que uma sexta-feira no final do expediente
Estar com você é melhor que ver Grey's Anatomy
E seu beijo mais gostoso que brownie com sorvete
Que passar no vestibular
Não prometo que vou te amar pra sempre
Mas sempre que puder
Vou estar pertinho pra te chamar pra um sushi
(ou uma lasanha congelada)
Quando você estava longe
Ficou triste que só essa menina
Mas agora somos nós dois de novo
Oba, até que enfim uma rima!
quinta-feira, 23 de agosto de 2007
The girlie show
Homem tem mania de ridicularizar grupinho de mulher, né? Como se mulher junta significasse sempre um bando de debilóides que só sabem bater perna e falar sobre futilidades. Não que não existam mulheres debilóides que não tenham capacidade de desenvolver um diálogo mais complexo que a descrição das cores de esmalte que resultaram no tom das unhas mas, em geral, não é o caso.
Fomos acostumadas desde sempre a falar, a expressar tudo o que pensamos e sentimos por meio de palavras. Já os homens foram criados achando que sentimento é coisa de boiola e que essa história de dividir é só pra conta da pizzaria. Então é óbvio que nós falamos pelos cotovelos.
É interessante observar as sutilezas das nossas conversas, porque usamos os assuntos mais banais como meio de atingir temas mais profundos. Começamos perguntando se franja fica legal e terminamos debatendo os nossos planos profissionais a longo prazo. A minha hipótese é que essa é uma forma de aliviar a tensão sobre assuntos mais íntimos, que assim podem surgir naturalmente e ser tratados de maneira mais leve do que quando se estabelece uma conversa com foco pré-definido.
Um amigo, embasbacado com a verborragia feminina, me disse "mulher é um bicho doido: ainda nem entendeu o que está pensando e já começa a falar", e eu até concordo com ele. Porque, muitas vezes, é falando a respeito que conseguimos tirar nossas conclusões, assim como acontece também quando eu escrevo, por exemplo. É simplesmente um processo de compreensão.
Então, machos, eu realmente acredito que falar, falar e falar é bom. Debater, questionar, discordar, se expor, se impor e descobrir sempre algo sobre outras pessoas e principalmente sobre si mesmo (porque só alguém muito estúpido pode afirmar que se conhece por inteiro) é muito bacana. Parem um pouco de rir da nossa cara, experimentem e evitem ser aquele tipo de pessoa atrofiada, ignorante e que está satisfeito com o milésimo que sabe (ou imagina saber).
Fomos acostumadas desde sempre a falar, a expressar tudo o que pensamos e sentimos por meio de palavras. Já os homens foram criados achando que sentimento é coisa de boiola e que essa história de dividir é só pra conta da pizzaria. Então é óbvio que nós falamos pelos cotovelos.
É interessante observar as sutilezas das nossas conversas, porque usamos os assuntos mais banais como meio de atingir temas mais profundos. Começamos perguntando se franja fica legal e terminamos debatendo os nossos planos profissionais a longo prazo. A minha hipótese é que essa é uma forma de aliviar a tensão sobre assuntos mais íntimos, que assim podem surgir naturalmente e ser tratados de maneira mais leve do que quando se estabelece uma conversa com foco pré-definido.
Um amigo, embasbacado com a verborragia feminina, me disse "mulher é um bicho doido: ainda nem entendeu o que está pensando e já começa a falar", e eu até concordo com ele. Porque, muitas vezes, é falando a respeito que conseguimos tirar nossas conclusões, assim como acontece também quando eu escrevo, por exemplo. É simplesmente um processo de compreensão.
Então, machos, eu realmente acredito que falar, falar e falar é bom. Debater, questionar, discordar, se expor, se impor e descobrir sempre algo sobre outras pessoas e principalmente sobre si mesmo (porque só alguém muito estúpido pode afirmar que se conhece por inteiro) é muito bacana. Parem um pouco de rir da nossa cara, experimentem e evitem ser aquele tipo de pessoa atrofiada, ignorante e que está satisfeito com o milésimo que sabe (ou imagina saber).
quarta-feira, 22 de agosto de 2007
Carta para a Jackie
Jackie,
a gente se conhece desde quando mesmo? Lembrei, desde 2004. Mesmo assim, sempre fomos mais íntimas da Tatá, que foi durante muito tempo o nosso elo de união. Há algum tempo (não sei exatamente quanto), começamos a estabelecer a nossa própria história. Hoje, acho que já podemos nos considerar amigas, e não mais amigas-da-amiga.
E agora (Adriana Calcanhoto ao fundo cantando "justo agora"), você vai pra São Paulo. É claro que vamos continuar nos falando por scrap, MSN e Skype (porque ligação interurbana tá cara pra cacete), mas a idéia de que ver você pessoalmente não vai ser mais só questão de marcar o horário pro dia seguinte me deixa meio melancólica.
Por outro lado, fico pensando em todas as coisas legais que esperam por você e aquela ponta de tristeza logo se dissipa. A experiência de começar algo inédito, sair de casa, viver em uma cidade que ferve profissional e culturalmente, o trabalho novo, sem falar naquelas pessoas chiquérrimas vestindo sobretudo por causa do climinha frio, tudo isso compensa.
Não tenho como saber com certeza, mas acho que você combina com São Paulo. Sempre penso em você como "a" mulher cosmopolita, definitivamente uma personagem do Manoel Carlos. Além disso, perco uma amiga do Rio, mas ganho uma anfitriã em Sampa!
Jackie, vou sentir falta das anedotas que você conta com os seus dotes dramáticos e que eu nunca sei se são reais ou inventadas, das explicações mirabolantes para todos os mistérios do universo (afinal, você é a minha coleção completa da Barsa), das dicas super antenadas sobre a programação cultural do Rio, da amiga que se revela inesperadamente doce, até mesmo das crises de hipocondria. Vou sentir saudades de você mais perto.
Mas, quer saber? Vai sem medo. E se descobrir que os paulistas não usam chinelo com meia, não me conte.
a gente se conhece desde quando mesmo? Lembrei, desde 2004. Mesmo assim, sempre fomos mais íntimas da Tatá, que foi durante muito tempo o nosso elo de união. Há algum tempo (não sei exatamente quanto), começamos a estabelecer a nossa própria história. Hoje, acho que já podemos nos considerar amigas, e não mais amigas-da-amiga.
E agora (Adriana Calcanhoto ao fundo cantando "justo agora"), você vai pra São Paulo. É claro que vamos continuar nos falando por scrap, MSN e Skype (porque ligação interurbana tá cara pra cacete), mas a idéia de que ver você pessoalmente não vai ser mais só questão de marcar o horário pro dia seguinte me deixa meio melancólica.
Por outro lado, fico pensando em todas as coisas legais que esperam por você e aquela ponta de tristeza logo se dissipa. A experiência de começar algo inédito, sair de casa, viver em uma cidade que ferve profissional e culturalmente, o trabalho novo, sem falar naquelas pessoas chiquérrimas vestindo sobretudo por causa do climinha frio, tudo isso compensa.
Não tenho como saber com certeza, mas acho que você combina com São Paulo. Sempre penso em você como "a" mulher cosmopolita, definitivamente uma personagem do Manoel Carlos. Além disso, perco uma amiga do Rio, mas ganho uma anfitriã em Sampa!
Jackie, vou sentir falta das anedotas que você conta com os seus dotes dramáticos e que eu nunca sei se são reais ou inventadas, das explicações mirabolantes para todos os mistérios do universo (afinal, você é a minha coleção completa da Barsa), das dicas super antenadas sobre a programação cultural do Rio, da amiga que se revela inesperadamente doce, até mesmo das crises de hipocondria. Vou sentir saudades de você mais perto.
Mas, quer saber? Vai sem medo. E se descobrir que os paulistas não usam chinelo com meia, não me conte.
"E agora, quem poderá me defender?"
Desde criança, eu adoro Chaves e Chapolin, principalmente o segundo (que era mais criativo e tinha histórias menos repetitivas). Lembro de um episódio em que havia um incrível artefato que servia pra parar o tempo. A mocinha se esbaldava sacaneando os outros e se livrando de um namoro arranjado pelo pai. Se a minha memória ainda não está totalmente senil, o tal artefato era uma buzina, que se pressionada uma vez, fazia o tempo parar (o dono da buzina então podia analisar e mesmo mudar a situação em volta) e, se pressionada duas vezes, colocava o relógio pra seguir seu curso normal de novo.
Nos meus devaneios, dignos do "Fantástico Mundo de Bob", fico imaginando como seria legal ter um de vez em quando. Seria uma ferramenta multiuso: pra tirar um time break quando eu não soubesse o que fazer ou dizer, aproveitar um momento mais um pouco, retirar algo inadeqüado (um alface no dente, por exemplo) do cenário, mandar alguém (chefes, síndicos, atendentes de telemarketing, as opções são infinitas) ir praquele lugar e depois retomar a conversa como se nada tivesse acontecido.
Outra fantasia minha é a de quando eu estou super enrolada numa situação que eu não sei como resolver, o Chapolin vai surgir e me ajudar a solucionar tudo de uma maneira divertida. Vai se embananar um pouco, como de costume, mas vai acabar resolvendo tudo de um jeito bem satisfatório, com o plus das suas pílulas de nanicolina e anteninhas de vinil. Droga de imaginação...
Nos meus devaneios, dignos do "Fantástico Mundo de Bob", fico imaginando como seria legal ter um de vez em quando. Seria uma ferramenta multiuso: pra tirar um time break quando eu não soubesse o que fazer ou dizer, aproveitar um momento mais um pouco, retirar algo inadeqüado (um alface no dente, por exemplo) do cenário, mandar alguém (chefes, síndicos, atendentes de telemarketing, as opções são infinitas) ir praquele lugar e depois retomar a conversa como se nada tivesse acontecido.
Outra fantasia minha é a de quando eu estou super enrolada numa situação que eu não sei como resolver, o Chapolin vai surgir e me ajudar a solucionar tudo de uma maneira divertida. Vai se embananar um pouco, como de costume, mas vai acabar resolvendo tudo de um jeito bem satisfatório, com o plus das suas pílulas de nanicolina e anteninhas de vinil. Droga de imaginação...
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