quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Pra dizer a verdade

"Então, vamos marcar alguma coisa?", ele disse. Respondi: "Olha, sabe que que é? Na verdade eu tô vendo que isso não vai dar certo, você já deve saber disso também, então a resposta é não. Vou ficar em casa fazendo a sobrancelha que é mais jogo". Mentira. Falei: "Claro, vamos sim. Que horas?".

Posso discutir com alguém, me magoar e chorar até desidratar as glândulas lacrimais, mas se encontrar com a pessoa por aí, vou segurar o sorriso no rosto e dizer: "Imagina, tô ótima!". E quantas vezes a gente não ouve alguém dizendo que não tá nem aí pra fulano, que quer mais é que o fulano vá pras cucuias, daí no instante seguinte lá está a pessoa toda resignada e cheia de amores? Quem nunca foi a algum lugar só porque os amigos insistiram e depois ficou com cara de bunda o resto da noite?

A gente curte dizer que faz e diz o que quer, que é transparente, mas a verdade é que às vezes a gente não segura o tranco de simplesmente ser sincero com o que sente. Acaba dizendo e fazendo exatamente o contrário do que quer, muitas vezes sem sequer perceber. Será medo? Orgulho? Autoproteção? Seria por  esperança de que o que a gente diz passe a ser o que se pensa? Ou, talvez, que a nossa intuição esteja errada dessa vez? Sejamos francos: franqueza é coisa pra heróis e heroínas.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Com a cara e a coragem

Quando ainda estava no colégio, lá pelos meus sweet sixteen (há quase 10 anos, cruzes), lembro de enviar meu primeiro currículo. A vaga era para ser assistente de vendas numa dessas joalherias em que você precisa abrir um crediário só pra passar da porta. Enfim, não foi daquela vez, mas no ano seguinte, já fora da escola, consegui trabalhar pela primeira vez. A situação em casa nunca foi lá muito boa, mas também não era um perrengue total. Não era por necessidade extrema que eu queria trabalhar, mas por algo que eu nem sabia direito como explicar na época. Eu queria ser independente.
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Pra mim, ser independente era ter dinheiro (mesmo que pouco) pra bancar as coisas que eu quisesse fazer. Com o passar do tempo, vi que a palavra queria dizer mais do que isso. Grana é só uma pequena parte da coisa. Independência tem muito mais a ver com atitude. Com se responsabilizar pela própria vida, tanto pelos acertos quanto pelos erros. É não ficar na mão de ninguém, mas saber os próprios limites pra saber impedir quando alguém ultrapassar a linha. É dizer, como se a gente tivesse cinco anos de novo, "você não manda em mim!". 
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Ainda hoje, o objetivo está lá, bem longe de ser alcançado. Mas a gente é teimoso e segue insistindo, né? A alternativa não vale a pena.
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domingo, 10 de janeiro de 2010

O mundo, sorrindo, se enche de graça - reloaded

Imaginem a cena, situada nos idos de 1962: Tom e Vinícius estão sentados numa mesa do Bar Veloso, curtindo a brisa da praia e vendo Helô Pinheiro passar, no esplendor de sua juventude. Seus cabelos balançam suavemente com o vento e a beleza da moça deixa todos embasbacados, hipnotizados com a imagem. A atmosfera do momento é tão envolvente que a dupla se sente inspirada para compor e daí nasce Garota de Ipanema

Corta pra 2010. É janeiro, um verão infernal. As pessoas suam, grudentas, pingando pelo caminho. O calorão e a muvuca da praia as deixam de mau humor, então todo mundo está meio nervoso. No bar, o que vale é a lei da selva. "Zéééé, traz mais uma aqui! Ei, você! Eu chamei primeiro, seu merda!". Os lugares em que o ar condicionado parece mais forte são disputados a pontapés. As mulheres se abanam, improvisando leques com a revista da semana. Os homens, resignados, cultivam círculos úmidos debaixo do braço. As filas da Sorveteria Itália e do Yogoberry são intermináveis.

Um grupo de rapazes está sentado num boteco perto do calçadão, conversando, bebendo cerveja e, é claro, suando. Saindo da praia, vem uma bela jovem, caminhando naquela preguiça característica do momento. Seu rosto é suave e, como o corpo ainda está molhado pelo último mergulho no mar, ela está só de biquíni e chinelo, na esperança de secar até chegar do outro lado da rua. Um dos caras percebe sua aproximação e cutuca os outros. Um deles vira na direção da moça, que agora passa ao lado do bar, e susurra "Hummmm... te chupava todinha!". É, outros tempos (quem sabe não rendia um funk?).

domingo, 6 de dezembro de 2009

One step back, madam

Eu sempre fui muito tímida. Do tipo que sente o rosto queimando quando tá no centro das atenções, tem taquicardia quando chega a sua vez de dizer quem é o seu amigo oculto, tem horror a apresentar trabalho e prefere prender o dedinho na porta a ser explícita sobre algo que está sentindo. Com homem, então, pior ainda, com direito a sumiço de voz, rosto pegando fogo e falta de capacidade de formar frases inteligíveis. Foi assim até a adolescência.  

Quando eu cresci, no entanto, as coisas mudaram. Chegou uma hora em que eu vi que ia sair perdendo se passasse o resto da vida esperando que tudo o que eu queria caísse do céu. Cheguei à conclusão de que precisava agir e, pra isso, ia precisar me expor. E foi assim que eu comecei a, sempre que batia a timidez, pensar comigo mesma: "vai lá". É claro que nem sempre tomar a iniciativa deu certo, mas eu ainda prefiro seguir aquela máxima de que é melhor me arrepender pelo que eu fiz do que pelo que não fiz.  

Hoje em dia, meu problema é outro. Como me acostumei a dar um passo à frente com os caras, em vez de ficar esperando o telefone tocar, o indivíduo chamar pra sair ou puxar assunto etc., fui percebendo que esse negócio enjoa de vez em quando. Nunca dá pra saber ao certo quando a outra pessoa está dizendo ou fazendo algo espontaneamente ou só respondendo a uma iniciativa sua. Por isso, resolvi que agora eu quero ser cortejada. É, galanteada. Meio idiota resolver alguma coisa que depende de terceiros, eu sei, mas é que parei com essa de proatividade amorosa, de preferir ser prática a brincar de mocinha casadoira. Eu mereço um pouco mais de gentileza nessa vida bruta.

domingo, 29 de novembro de 2009

De volta

Faz tempo, né? Passei tudo isso - quase cinco meses - sem escrever no blog por pura falta de ideias que eu achasse que poderiam render um post. Depois fui perdendo a prática de escrever, de partir de um lugar e desenvolver o texto até o ponto final. Daí fui deixando, deixando, e quando eu vi, já era hoje. O negócio é que, eu não tinha percebido ainda, mas escrever me faz uma falta danada, me tira o peso do peito, me faz entender melhor, joga luz em cima dos pensamentos, faz com que eu faça pelo menos um pouquinho de sentido. Oi de novo.