terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Atrapalhamento - Lição prática número 1

1 - Entre no ônibus segurando mochila num ombro só, carteira numa mão e guarda chuva na outra;

2 - Já que você gastou sua nota de R$2,00 comprando algo totalmente adiável - como amendoim japonês, drops de hortelã ou chocolate - , entregue ao trocador uma nota de R$5,00 ou mais.  Melhor ainda se o ônibus for daqueles que têm motoristas polivalentes;

3 - Aguarde o troco enquanto o ônibus entra em movimento pela rua esburacada em frente;

4 - Tente passar a roleta enquanto guarda o troco na carteira e equilibra os outros pertences; 

5 - Já depois da roleta do ônibus sacolejante, manobre em volta do passageiro cheio de sacolas que insiste em ficar no assento do corredor. Graças à má vontade do indivíduo, não sinta culpa quando bater involuntariamente na cabeça dele o guarda chuva cuja cordinha balança no seu pulso;

6 - Alterne todos os passos anteriores com um sorriso sem graça e aquela cara de "ops, foi sem querer". 

domingo, 4 de janeiro de 2009

Amanhã às dez da noite

Quem já perdeu uns cinco minutos da vida lendo o blog sabe que eu sou chegada a uma música de fossa. Vide post abaixo. Adoro aqueles cantores que se despedaçam no palco, que sempre parecem vulneráveis e intensos, que não se restringem aos movimentos ensaiados e que conseguem deixar o público hipnotizado apenas por estarem presentes, sem precisar de pirotecnia,  sei lá quantas participações especiais ou uma dúzia de bailarinos pra segurar um show. Aqueles que cantam como único jeito de não sufocar. Ou que, pelo menos, fazem parecer que sim (ganha uma bala 7 Belo quem provar que aquelas lágrimas do Jacques Brel cantando "Ne me Quitte Pas" no vídeo que tem no You Tube não são colírio ou cristal japonês).

Também escuto música sobre feijoada, barquinho e pôr-do-sol, mas tem hora em que a gente quer mais é que essa alegria de viver toda se foda. Por isso, quase tive um AVC quando soube da minissérie sobre a Maysa, que começa amanhã na Globo. Perdi o ar com a versão de "Hymne à L'amour" (da Edith Piaf), que aparece num trechinho de uma das chamadas.

Provavelmente vai ser um festival de clichês - difícil fugir deles na grande mídia - , mas ainda assim é uma chance de conhecer mais sobre a cantora e ouvir algumas das músicas que ela interpretava (me parece que as gravações são as originais), sempre com aquela expressão de quem está à beira de jogar um dry martini na cara de alguém. Tô contando os segundos.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Viva a euforia do réveillon

Essa semana de réveillon está totalmente atípica na vida noturna do Rio. Os pontos de diversão da cidade que, de domingo a quinta-feira, costumam ficar quase às moscas - salvo a presença de alguns poucos representantes da resistência - foram tomados por um clima festeiro que mais parece o de um carnaval fora de época (por mais assustadoras que sejam as lembranças evocadas pela expressão).
Na terça-feira, por exemplo, a praia estava lotada. Fui dar uma caminhada na beira do mar e quase não encontro os amigos na volta. À noite, não consegui entrar no botequim por causa da lista de espera na porta. Hoje passei pela Lapa e estava aquele furdunço animado típico de sexta-feira. Será culpa apenas da invasão gringa do período?
Espero que não e que esse desapego à preguiça se estenda ainda por um bom tempo, contagiando massivamente os locais. Que nunca mais um carioca troque um choppinho no bar da esquina pelo último capítulo da novela (sobe o som de violinos)!

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Feliz Ano Novo de novo

2008 foi um ano esquisito. Enquanto todo mundo dizia, nos últimos dias de dezembro, que ele havia passado voando, eu pensava que definitivamente não tinha sido desse jeito pra mim. 2008 não passou voando coisa nenhuma. Muitas coisas aconteceram e eu fico tonta só de tentar lembrar de todas. Sinto saudades de algumas, mas fico aliviada por outras já terem passado. A trilha perfeita seria:

Foram muitos começos, fins, amigos conquistados, amigos que foram pra longe, desabafos, mal-entendidos, altos estratosféricos e baixos pré-salinos, muitas gargalhadas de perder o ar e muitos choros doídos. Meus primeiros porres e minhas primeiras ressacas. Algumas conquistas e decepções. Muitas noites que podiam durar pra sempre e dias que eu queria apressar no ►► do controle remoto. Algumas paixões e dores de cotovelo homéricas.

Não aprendi a hora certa de falar ou de ficar calada. Nem a economizar, fazer arroz ou tocar violão. Por outro lado, vi como vale a pena não tentar ter o controle de tudo o tempo inteiro. Que nem tudo pode ser programado. Que, algumas vezes, as coisas simplesmente acontecem, alheias a nossa vontade. E também que não existe nada igual à sensação de dançar, cantar a música junto bem alto e não pensar em mais nada, porque a cabeça da gente às vezes precisa de uma folga.

Fiz poucos planos para 2009, considerando as mudanças que vão surgir e o acaso. Espero dias mais tranquilos dessa vez, mas o destino parece gostar de ser irônico comigo e virar minhas expectativas de ponta-cabeça só por diversão. O que eu descobri foi que, vez ou outra, isso pode ser bom também.