quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Uma coisa leva à outra


Fui ao pavilhão do Festival encontrar os colegas do blog e entrevistar o diretor de um documentário. Tudo ok: conversamos, gravamos, começamos a preparar o texto. Encontrei, por coincidência, um amigo por lá, que ia para Botafogo. Aproveitei para pegar carona com ele e ir ao Rio Sul trocar o ingresso do Tim Festival (do Tim no Tim pelo da apresentação das cantoras de jazz).

Liguei para uma amiga que queria ir ao mesmo show e ela resolveu comprar logo o ingresso também. Deixei meu amigo na saída e fui encontrá-la. Começamos a conversar, chamei-a pra o café da livraria. Brownie com sorvete de creme, papo muito fértil, risadas altas e despreocupadas.

Fui deixá-la na faculdade ali perto pra depois pegar o ônibus pra casa. Passamos pelo boteco estrategicamente posicionado no caminho, acabamos ficando por lá mesmo e a aula dela foi pras cucuias. Continuamos o papo e nossas filosofias de botequim (agora acompanhadas pela cerveja) até que a chuva apertou e resolvemos ir embora antes que aparecesse um velhinho barbudo com a idéia de pôr casais de bichos numa arca. Muito bom quando o que acontece por acaso acaba sendo melhor que o planejado, não?

Stacey Kent - "Ces petits riens" ("Esses pequenos nadas"):




domingo, 28 de setembro de 2008

Alguém invente (logo) o pára-brisas para óculos

Mais um domingo atipicamente frio e chuvoso no Rio. Dia de usar cachecol, bota de cano alto e me empanturrar de doces de São Cosme e Damião (doados gentilmente pela minha vizinha) usando a desculpa de que preciso de reserva lipídica. Não tem Kleenex que deixe as lentes dos óculos menos turvas.

Como em Magnólia (aquele filme com Tom-Cruise-cabelinho-chanel e Philip Seymour Hoffman), acredito que o clima afeta o humor dos indivíduos. No frio, a gente acaba ficando mais introspectivo e solitário, com vontade de ter os pés aquecidos por outros pés. De comer chocolate e ver tv a cabo, de ouvir jazz ou música tocada no violão ou piano (nesse exato momento, a opção é Aimee Mann, por sinal, trilha de Magnólia). As horas demoram mais a passar; melhor aproveitá-las em boa companhia.

A serotonina da barra de chocolate devorada em segundos já começa a fazer efeito e aplacar o motim hormonal de hoje mais cedo. Chegam boas novas por telefone. Life's sweet sometimes...



 

Overdose de Placebo (captou?)

Do outro lado da lente


Se existe algo que faz parte do cotidiano de todo carioca é a violência urbana. Se não diretamente, ao menos pelas notícias veiculadas na imprensa. "Abaixando a máquina", documentário do Festival (na mostra Cenas do Rio), dirigido por Guillermo Planel e Renato de Paula, mostra um lado pouco conhecido dessas notícias: o dos fotógrafos.

A câmera acompanha profissionais de alguns dos maiores jornais do Rio de Janeiro no seu dia-a-dia, em que correr em tiroteios, se esconder atrás de carros para fugir dos tiros e acompanhar enterros de vítimas é tão habitual quanto tomar café de manhã. Além disso, o filme discute questões éticas envolvidas no ato de fotografar e na relação com os fotografados.

Além das imagens de campo, há também depoimentos dos próprios fotógrafos, de líderes comunitários, psicanalistas e autoridades. É uma boa oportunidade para, além de conhecer mais sobre o trabalho daqueles profissionais, observar a situação atual do Rio de Janeiro por um outro ângulo.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

A miséria de todo dia


Hoje fui ao sobrado do Festival para me reunir com os outros voluntários do blog (by the way, http://festivaldorio2008noticiasdofront.blogspot.com/), mas quando chegamos, tinha havido uma pane na rede e ninguém tinha internet. Resolvi dar uma passada nas Americanas da esquina e comprar alguma coisa pra comer enquanto a gente não podia trabalhar. 

Quando cheguei lá, já tonta de fome, vi que estava rolando aquela "promoção" de três barras de chocolate por R$10,00 e escolhi um Alpino, um Crunch e um meio amargo. Já saí da loja comendo uns pedaços de Alpino, enquanto conversava com o Breno e a Paula. Eis que um menino de rua bem novo, de uns 9 anos, negro e descalço (nesse dia chuvoso e frio de hoje) para ao meu lado e diz "oi, tia, dá um pedaço aí!". Sem pensar duas vezes, enfiei a mão na sacola da loja, tirei a barra de meio amargo e entreguei a ele.

O moleque ficou, literalmente, de queixo caído olhando pra barra de chocolate. Tanto que, só uns 10 segundos e alguns metros depois, escutei ele gritando "que pedaço, hein, tia? Obrigado!". Fiquei pensando naquela cara embasbacada dele... Foi engraçada e triste ao mesmo tempo. Será que ele já tinha comido alguma coisa durante o dia? Pra quantas pessoas ele teria que pedir dinheiro até juntar aquilo que eu tinha gasto sem a menor importância? Alguém costuma lhe dar alguma coisa simplesmente pra vê-lo feliz? Com quem ele vive? Até quando ainda vou lembrar desse menino?