Ontem, estava eu conversando com a minha mãe sobre o plano de passar um tempo estudando espanhol no Chile. Eis que ela, indignada diz: "Ah, não, Luanda, junta dinheiro e vai pra um lugar legal!" (querendo dizer que eu devia era ir pra Europa). Subi nas tamancas: "Ué,mãe, só porque é América do Sul tem que ser uma bosta?" (é,a gente conversa nesse nível).
Tá certo que a Europa oferece a oportunidade de também conhecer países com outros idiomas nativos para praticar (inglês, francês, alemão e tcheco se eu soubesse falar alemão e tcheco) e é um continente que eu sou doida pra conhecer, mas há opções de lugares lindos e ricos culturalmente aqui pertinho. Além do Chile, há Argentina, Uruguai, Peru, Venezuela...
É um pensamento bem brasileiro esse de considerar os territórios da América do Sul (inclusive os do Brasil) como indignos de interesse, completamente desprovidos de validade, como se investir seu tempo em visitá-los fosse igual a ir pro Piscinão de Ramos podendo ir pra Ipanema.
Estados Unidos, Canadá, Nova Zelândia, Austrália, Europa e algumas regiões da Ásia (se o viajante estiver numa fase"de-busca-espiritual" ou "querendo-me-encontrar"), tudo bem, mas colocar a mochila nas costas pra conhecer o Brasil ou os nossos vizinhos é quase risível. Por que quando o viajante ousa dizer "vou passar uns dias no Paraguai", recebe como resposta um "ah,tá" desanimado, mas se comentar que vai passar as férias na Califórnia, um "nossa, que máximo!"?
Temos que aprender a valorizar o que está à nossa volta. Pra que perder uma experiência que pode ser incrível, de conhecer gente legal, lugares bacanas, lidar com realidades sociais diferentes da nossa, estudar, aprender com uma cultura nova, eliminar isso tudo da nossa vida por um preconceito besta desses?
